A necessidade de ações sobre saúde mental no ambiente acadêmico já é reconhecido nas instituições
Transtornos, estresse, fobia social e mudanças de humor. Essas são algumas das características de saúde mental debilitada que podem levar à depressão e ao suicídio. São pessoas diferentes e histórias diferentes, mas com pontos comuns no cotidiano enquanto estudantes universitários, que podem deflagrar um processo depressivo: as cobranças acadêmicas, o atraso ou acúmulo no desempenho de tarefas da universidade ou, ainda, a falta de perspectiva sobre o futuro profissional.
“Cada um percebe a universidade e suas dificuldades em tarefas diárias, de modo diferenciado”, diz a psicóloga Gabrielle Lopes de Lima, que atua na área de psicanálise, em Curitiba. Ela explica que “um psicólogo ou um psiquiatra pode amenizar o sofrimento causado pelas pressões diárias incentivando a realização de atividades prazerosas para o estudante, dentro do seu alcance”. Para algumas pessoas, uma mudança de hábito é a solução. Mas se é algo persistente e que causa sofrimento, encaminhar o estudante para atendimento profissional é a melhor opção, declara Gabrielle.
Como está a saúde mental dos estudantes?
Em uma pesquisa breve, realizada para obter dados para esta matéria, foram incluídos para amostra a população de estudantes de ensino superior. A intenção é conhecer as dificuldades psicológicas enfrentadas na universidade, sendo que um a cada cinco dos estudantes afirmaram apresentar sentimentos de solidão e desânimo ao realizar atividades acadêmicas propostas em sala de aula, fatores que podem resultar em posteriores problemas psíquicos.
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| Traços apresentados para a coleta dos dados. Infográfico: Felipe Reis |
O mau desempenho acadêmico e fragilidades econômicas entre os adolescentes e jovens universitários motivam instituições de ensino superior do município de Curitiba a implementar diversas ações de atenção e apoio aos estudantes.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, a Pró- Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), realiza acompanhamento psicossocial para alunos de graduação com o rendimento acadêmico abaixo de 75%, em termos de avaliações ou frequência, causado por motivos de ordem psicológica, social ou pedagógica. O atendimento está à disposição de todos os estudantes da universidade que apresentem esta necessidade.
De acordo com a Coordenadora da Unidade de Apoio Psicossocial (Uaps) da UFPR, Lauren Machado Pinto, são realizados atendimentos individuais, ações em grupo, ações com o próprio curso e interlocução com outros serviços da universidade, de acordo com a demanda do aluno com problemas psicológicos. Uma estratégia individual é traçada, baseada nas necessidades do estudante. “A porta de entrada é o acolhimento”, explica a coordenadora.
A média de atendimentos individuais realizados, por mês, pela equipe psicológica da Prae é de 253 indivíduos e 120 em grupo (oficinas e rodas de conversa). O setor aponta as principais queixas dos estudantes atendidos.
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| Principais sintomas apresentados pelos pacientes atendidos. Fonte: Prae/UFPR |
Os atendimentos que indiquem necessidade de apoio ambulatorial e/ou externos são encaminhados para o Centro de Atenção à Saúde 4 (Casa 4) e também à rede de saúde do município, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que cria essa interlocução com outros serviços.
A estudante de Ciências Biológicas, Giovanna Carvalho, 22 anos, da UFPR, iniciou o processo de acompanhamento psicológico por meio de divulgação da própria universidade. O processo durou dois anos: “O que me levou a procurar este atendimento foi a falta de recursos financeiros e isso foi muito importante para minha permanência na universidade”, conta Giovanna.
Serviço
Além da UFPR, outras universidades prestam o atendimento psicológico para seus alunos em Curitiba, mas também para o público externo, muitas de forma gratuita. Confira os endereços e locais de funcionamento das clínicas de Psicologia em Curitiba mantidas por instituições de ensino superior.
Universidade Federal do Paraná
Praça Santos Andrade, 50 – 1º andar, sala 112. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h.
Contato: (41) 3310-2614
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Rua Rockefeller, 1.311. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 12h e de 13h30 às 22h.
Contato: (41) 3271-2457 ou psiclin@pucpr.br
Dom Bosco
Avenida Presidente Wenceslau Braz, 1.172. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h.
Contato: (41) 3213-5227
FAE
Rua Dr. Pedrosa, 308. Horário: de segunda a sexta, das 8 às 21h e sábados das 8h às 12h.
Contato: (41) 2105-4826 ou psicofae@fae.edu
Facel
Rua Vicente Machado, 160, sala 41. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 12h, das 13h às 21h.
Contato: (41) 3234-1400
Uniandrade
Rua João Scuissiato nº 1, Santa Quitéria. Horário: de segunda a sexta, das 8h30 às 21h30, sábados das 8h30 às 16h.
Contato: (41) 3219-4290
Universidade Positivo
Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, bloco amarelo, térreo. Horário: segunda a sexta, das 7h15 às 21h.
Contato: (41) 3317-3169
Universidade Tuiuti do Paraná
Rua Sydnei Antonio Rangel Santos, 238. Horário: segunda a sexta, das 8h às 21h, sábados das 9h às 13h.
Contato: (41) 3331-7836 / 3331-7846
Por Felipe Reis
Edição de Hiago Rizzi



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