Atendimento psicológico é acessível a universitários de Curitiba

A necessidade de ações sobre saúde mental no ambiente acadêmico já é reconhecido nas instituições


Dentre universitários que responderam a uma pesquisa promovida pelo blog Filhos da Pauta, 46% afirmam já terem tido pensamentos suicidas decorrentes do estresse acadêmico. Foto: Tadeu Vilani / Agência RBS

“Faço tratamento particular. Não com psicólogo, mas com um psiquiatra. Faz uns cinco anos, porque desde criança tenho depressão. Sinto muita falta de um psicólogo, mas no momento, já gasto muito dinheiro com medicamentos e o psiquiatra em si”, relata Gabriela Saboia, aluna do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Transtornos, estresse, fobia social e mudanças de humor. Essas são algumas das características de saúde mental debilitada que podem levar à depressão e ao suicídio. São pessoas diferentes e histórias diferentes, mas com pontos comuns no cotidiano enquanto estudantes universitários, que podem deflagrar um processo depressivo: as cobranças acadêmicas, o atraso ou acúmulo no desempenho de tarefas da universidade ou, ainda, a falta de perspectiva sobre o futuro profissional.

“Cada um percebe a universidade e suas dificuldades em tarefas diárias,  de modo diferenciado”, diz a psicóloga Gabrielle Lopes de Lima, que atua na área de psicanálise, em Curitiba. Ela explica que “um psicólogo ou um psiquiatra pode amenizar o sofrimento causado pelas pressões diárias incentivando a realização de atividades prazerosas para o estudante, dentro do seu alcance”. Para algumas pessoas, uma mudança de hábito é a solução. Mas se é algo persistente e que causa sofrimento, encaminhar o estudante para atendimento profissional é a melhor opção, declara Gabrielle.

Como está a saúde mental dos estudantes?

Em uma pesquisa breve, realizada para obter dados para esta matéria, foram incluídos para amostra a população de estudantes de ensino superior. A intenção é conhecer as  dificuldades psicológicas enfrentadas na universidade, sendo que um a cada cinco dos estudantes afirmaram apresentar sentimentos de solidão e desânimo ao realizar atividades acadêmicas propostas em sala de aula, fatores que podem resultar em posteriores problemas psíquicos.

Traços apresentados para a coleta dos dados. Infográfico: Felipe Reis

O mau desempenho acadêmico e fragilidades econômicas entre os adolescentes e jovens universitários motivam instituições de ensino superior do município de Curitiba a implementar diversas ações de atenção e apoio aos estudantes.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, a  Pró- Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae),  realiza acompanhamento psicossocial para alunos de graduação com o rendimento acadêmico abaixo de 75%, em termos de avaliações ou frequência, causado por motivos de ordem psicológica, social ou pedagógica. O atendimento está à disposição de todos os estudantes da universidade que apresentem esta necessidade.

De acordo com a Coordenadora da Unidade de Apoio Psicossocial (Uaps) da UFPR, Lauren Machado Pinto, são realizados atendimentos individuais, ações em grupo, ações com o próprio curso e interlocução com outros serviços da universidade, de acordo com a demanda do  aluno com problemas psicológicos. Uma estratégia individual é traçada, baseada nas necessidades do estudante. “A porta de entrada é o acolhimento”, explica a coordenadora.

A média de atendimentos individuais realizados, por mês, pela equipe psicológica da Prae é de 253 indivíduos e 120 em grupo (oficinas e rodas de conversa). O setor aponta  as principais queixas dos estudantes atendidos.

Principais sintomas apresentados pelos pacientes atendidos. Fonte: Prae/UFPR

Os atendimentos que indiquem necessidade de apoio ambulatorial e/ou externos são encaminhados para o Centro de Atenção à Saúde 4 (Casa 4) e também à rede de saúde do município, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que cria essa interlocução com outros serviços.

A estudante de Ciências Biológicas, Giovanna Carvalho, 22 anos, da UFPR, iniciou o processo de acompanhamento psicológico  por meio de divulgação da própria universidade. O processo durou  dois anos: “O que me levou a procurar este atendimento foi a falta de recursos financeiros e isso foi muito importante para minha permanência na  universidade”, conta Giovanna.  

Serviço

Além da UFPR, outras universidades prestam o atendimento psicológico para seus alunos em Curitiba, mas também  para o público externo, muitas de forma gratuita.  Confira os endereços e locais de funcionamento das clínicas de Psicologia em Curitiba mantidas por instituições de ensino superior.

Universidade Federal do Paraná

Praça Santos Andrade, 50 – 1º andar, sala 112. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h.

Contato: (41) 3310-2614

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Rua Rockefeller, 1.311. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 12h e de 13h30 às 22h.

Contato: (41) 3271-2457 ou psiclin@pucpr.br

Dom Bosco

Avenida Presidente Wenceslau Braz, 1.172. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h.

Contato: (41) 3213-5227

FAE

Rua Dr. Pedrosa, 308. Horário: de segunda a sexta, das 8 às 21h e sábados das 8h às 12h.

Contato: (41) 2105-4826 ou psicofae@fae.edu

Facel

Rua Vicente Machado, 160, sala 41. Horário: de segunda a sexta, das 8h às 12h, das 13h às 21h.

Contato: (41) 3234-1400

Uniandrade

Rua João Scuissiato nº 1, Santa Quitéria. Horário: de segunda a sexta, das 8h30 às 21h30, sábados das 8h30 às 16h.

Contato: (41) 3219-4290

Universidade Positivo

Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, bloco amarelo, térreo. Horário: segunda a sexta, das 7h15 às 21h.

Contato: (41) 3317-3169

Universidade Tuiuti do Paraná

Rua Sydnei Antonio Rangel Santos, 238. Horário: segunda a sexta, das 8h às 21h, sábados das 9h às 13h.

Contato: (41) 3331-7836 / 3331-7846

Por Felipe Reis

Edição de Hiago Rizzi


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